Área |
505.992 km² |
Capital |
Madri |
Idioma |
Espanhol |
População |
40.548.753 (est. julho de 2010) CIA |
Expectativa de vida
T/ H/M |
T: 80,18
H:76,88
M: 83,7 ( est.2010 |
Principais Cidades |
Madri (Capital), Barcelona, Valência, Sevilla e Bilbao |
Moeda |
Euro |
PIB (paridade com poder de compra) |
$1.368 trilhões (est. 2009) |
PIB per capita (PPC) |
$ 33.700 (est.2009) |
Crescimento real do PIB |
-3,6 % ( est. 2009) CIA |
Composição por setor (PIB) |
Agricultura: 3,3 %
Indústria: 26.8%
Serviços: 70% ( est.2009) CIA |
Taxa de desemprego |
18% em 2009 |
Exportações |
$226,8 billhões ( est.2009 est.) |
Posição mundial |
16º exportador |
Exportações / Commodities |
Máquinas, motores para veículos; gêneros alimentícios, produtos farmacêuticos, medicamentos e outros bens de consumo. |
Importações |
$290,4 bilhões (est. 2009) |
Posição mundial |
12 º importador |
Importações / Commodities |
Máquinas e equipamentos, combustíveis, produtos químicos, produtos semi-acabados, gêneros alimentícios, bens de consumo, instrumentos de medição e controle médico. |
Chefe do Estado |
Rei D. JUAN CARLOS I de Borbón, desde 22 de novembro de 1975 |
Chefe de Governo |
Jose Luis Rodriguez ZAPATERO, desde Maio de 2004 |
Aspectos Gerais
Localização e superfície
A Espanha limita-se ao norte com a França e a oeste com Portugal. É banhada ao norte pelo Mar Cantábrico, a sudoeste pelo Oceano Atlântico e a leste e sudeste pelo Mar Mediterrâneo. Com uma superfície total de 505.992 km² o território espanhol ocupa a maior parte da Península Ibérica (493.484 km²), além das Ilhas Baleares (4.992 km²) e Ilhas Canárias (7.447 km²). A soberania espanhola abrange ainda algumas pequenas ilhas próxim
as do Marrocos e duas cidades situadas no norte da África, fundadas pela Espanha, antes, inclusive, da consolidação do Marrocos como Estado: Ceuta e Melilla. A grande extensão do litoral, explicada pela condição peninsular da Espanha, aliada à localização entre o Atlântico Norte e o Mar Mediterrâneo e à grande proximidade do continente africano, do qual é separada pelo Estreito de Gibraltar, concedem ao país uma posição estratégica.
Principais grupos culturais, idioma e religião
A Espanha tem uma grande riqueza cultural, conseqüência da evolução histórica da Península Ibérica, com períodos de domínio visigodo, romano e islâmico culminado com a reconquista cristã.
Dessa maneira, há diferentes grupos culturais: em primeiro lugar, está a região central ou Castilha, origem da língua oficial de todo o país, o castelhano. No nordeste e sudeste estão a Catalunha, Valência e Ilhas Baleares, onde a língua oficial, além do castelhano, é o catalão. No sul, está Andaluzia, cuja região geográfica de Granada ficou sob Domínio muçulmano até 1492, fato que denota uma grande diferença cultural. No norte, está o País Basco, que também tem outra língua oficial além do castelhano, que é o basco ou euskera, a qual não tem origem latina. Finalmente, na região noroeste está a Galícia, que também tem outra língua oficial, o galego, bastante similar ao português, conseqüência da proximidade geográfica com Portugal.
No âmbito religioso, mesmo que a Espanha seja um Estado laico, o catolicismo é a religião principal. Ademais, o Estado tem acordos com o credo evangélico e com as religiões muçulmana e judaica. A própria Constituição espanhola, ao mencionar a condição da Espanha como Estado laico estabelece uma obrigação dos Poderes Públicos de colaborar com todos os credos religiosos, em especial, com a Igreja Católica, credo principal da sociedade espanhola.
Relação Bilateral
Há um claro desequilíbrio entre o volume de investimentos espanhóis no Brasil e o nível do comércio bilateral. Enquanto a Espanha detém o segundo maior estoque de capital acumulado no Brasil, alternando posições com os Países Baixos, é apenas o décimo-quinto destino das exportações brasileiras e o Brasil o vigésimo das exportações espanholas.
De todo modo, o comércio bilateral tem prosperado tanto em volume como em valor agregado. O valor total das transações comerciais mais do que quintuplicou nos últimos dezesseis anos. Passou de 898 milhões de dólares em 1992 a seis bilhões e quinhentos milhões de dólares em 2008, com um superávit de 1 bilhão e quinhentos milhões para o Brasil.
As exportações brasileiras somaram quatro bilhões de dólares - o que representou um aumento de 17% em relação ao ano anterior - e as importações alcançaram o montante de dois bilhões e quatrocentos milhões de dólares – o que significou incremento de 34% em relação a 2007.
Ocorreu, também, uma importante evolução qualitativa. Ainda que a maior parte das exportações brasileiras à Espanha, como de resto aos demais membros da União Européia, continue sendo de produtos básicos, a participação de produtos de maior valor agregado aumentou. Em 1984, os produtos básicos representavam 88,8% de nossas exportações à Espanha. Em 2008, ocuparam uma fatia de 60,7%, uma queda de aproximadamente 30%. A parcela representada por manufaturas aumentou de 5,3 a 24%.
Fonte: Embaixada do Brasil em Madri com dados atualizados por Global 21.
| Exportação Brasil - Espanha / 2008 US$ FOB |
| Outros grãos de soja, mesmo triturados |
1.161.601.262 |
28,5% |
| Óleos brutos de petróleo |
278.486.872 |
6,8% |
| Milho em grão, exceto para semeadura |
202.009.750 |
5,0% |
| Sulfetos de minérios de cobre |
183.390.514 |
4,5% |
| Café não torrado, não descafeinado, em grão |
160.318.909 |
3,9% |
| Minérios de ferro não aglomerados e seus concentrados |
148.711.348 |
3,6% |
| Ferro fundido bruto não ligado, c/peso<=0.5% de fósforo |
131.282.909 |
3,2% |
| Minérios de ferro aglomerados e seus concentrados |
112.655.616 |
2,8% |
| Lamin. ferro/aço, quente, l>=60cm,n/enrolado,e>10mm |
90.579.134 |
2,2% |
| Bagaços e outs. resíduos sólidos, da extr. do óleo de soja |
88.721.633 |
|
| Demais produtos |
1.605.426.454 |
39,4% |
| Total |
4.074.462.768 |
|
Fonte: MDIC/SECEX
| Importação Brasil - Espanha / 2008 US$ FOB |
| Outras partes p/aviões ou helicópteros |
291.629.259 |
11,80% |
| Outros querosenes |
95.091.227 |
3,85% |
| Outros cloretos de potássio |
74.854.617 |
3,03% |
| Acido 2-hidroxi-4-(metiltio)butanoico e seu sal calcico |
51.046.412 |
2,07% |
| Carbonato dissodico anidro |
49.524.251 |
2,00% |
| Outs. medicam.c/ comp. heterocicl. heteroat. nitrog. em doses |
42.760.461 |
1,73% |
| Outros aviões a turboelice,etc.7t<peso<=15t,vazios |
40.785.282 |
1,65% |
| Outs. maqs. e apars. de elevação, de carga, de descarga, etc. |
40.637.092 |
1,64% |
| Azeite de oliva, virgem |
37.332.545 |
1,51% |
| Outs. trifosfatos de sódio (tripolifosfato de sódio) |
30.994.072 |
1,25% |
| Demais produtos |
1.717.216.971 |
69,47% |
| Total |
2.471.872.189 |
100,0% |
Fonte: MDIC/SECEX
Dentre os estados brasileiros que mais se relacionaram com a Espanha estão: São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Rio de Janeiro, no período de 2008.
| Exportação por estado / 2008 US$ FOB |
| Mato Grosso |
739.997.437 |
18,3% |
| São Paulo |
645.545.453 |
16,0% |
| Paraná |
334.758.783 |
8,3% |
| Minas Gerais |
275.228.383 |
6,8% |
| Rio Grande do Sul |
266.570.576 |
6,6% |
| Goiás |
261.827.135 |
6,5% |
| Pará |
237.424.603 |
5,9% |
| Demais estados |
1.284.534.262 |
31,7% |
| Total |
4.045.886.632 |
100,0% |
Fonte: MDIC/Aliceweb
| Importação por estado / 2008 US$ FOB |
| São Paulo |
1.239.456.625 |
50,1% |
| Paraná |
254.327.530 |
10,3% |
| Rio de Janeiro |
223.011.399 |
9,0% |
| Bahia |
149.465.791 |
6,0% |
| Rio Grande do Sul |
136.668.612 |
5,5% |
| Santa Catarina |
116.733.380 |
4,7% |
| Demais estados |
352.270.361 |
14,3% |
| TOTAL |
2.471.933.698 |
100% |
Fonte: MDIC/Aliceweb
O valor das exportações brasileiras para a Espanha no ano de 2008 foi de US$ 4 bi, com um crescimento positivo em relação ao ano anterior. As importações espanholas de produtos brasileiros cresceram US$ 52.560 mi em relação a 2007.
Balança Comercial Brasil - Espanha / 2008
Valores em US$ FOB |
| Mês |
Exportação |
Importação |
Saldo |
Corrente de Comércio |
| JAN |
259.993.651 |
167.342.427 |
92.651.224 |
427.336.078 |
| FEV |
231.275.931 |
185.559.318 |
45.716.613 |
416.835.249 |
| MAR |
288.828.587 |
168.022.759 |
120.805.828 |
456.851.346 |
| ABR |
343.809.966 |
207.530.502 |
136.279.464 |
551.340.468 |
| MAI |
428.683.999 |
182.109.301 |
246.574.698 |
610.793.300 |
| JUN |
411.824.207 |
209.539.181 |
202.285.026 |
621.363.388 |
| JUL |
530.964.730 |
236.285.718 |
294.679.012 |
767.250.448 |
| AGO |
418.157.931 |
255.395.408 |
162.762.523 |
673.553.339 |
| SET |
241.609.340 |
269.828.585 |
-28.219.245 |
511.437.925 |
| OUT |
355.857.926 |
221.729.190 |
134.128.736 |
577.587.116 |
| NOV |
255.801.421 |
210.432.562 |
45.368.859 |
466.233.983 |
| DEZ |
279.078.943 |
158.158.747 |
120.920.196 |
437.237.690 |
| Acumulado |
4.045.886.632 |
2.471.933.698 |
1.573.952.934 |
6.517.820.330 |
Fonte: MDIC / Aliceweb
Direção do comércio exterior
Cerca de 70% do comércio exterior espanhol é realizado com outros Estados Membros da União Européia, sendo que a França e a Alemanha respondem por 50% desse comércio.
Fonte: Agencia Estatal de Administracion Tributaria (AEAT)
Fonte: Agencia Estatal de Administracion Tributaria (AEAT)
Importações
As importações espanholas procedentes da União Européia mantiveram-se em torno de 63% do total entre 1994 e 2004. Levando-se em conta o valor total das importações em 2001, o incremento corresponde a US$ 2,5 bilhões na participação da Europa no mercado importador espanhol. Além da Europa, somente o continente africano vem ganhando espaço neste mercado desde 1988. Outras regiões, como é o caso da Ásia e da América do Norte (exceto o México), perderam participação.
A participação da América Latina registra uma pequena redução, passando de 4,36% em 1994 a 4,12% em 2004, o que significa uma perda real de US$ 300 milhões. México, Brasil e Argentina respondem por 61% das importações espanholas provenientes da América Latina, destacando-se aumentos de 18,9% e de 14,2% nas importações provenientes de México e Brasil, respectivamente
Fonte: UNCTAD/ITC/Comtrade em Braziltradenet
Exportações
A partir da entrada em vigor do Tratado de Maastrich em 1993, observa-se um aumento constante das exportações para os Estados-Membros do “mercado de livre comércio”. Em 2004, este valor superou os 87 bilhões de euros, com incremento de 5,1% em relação ao ano anterior. Os principais países de destino das exportações foram: França (19,04%), Alemanha (11,7%), Portugal (9,7%), Reino Unido (9,0%) e Itália (9,0%).
As outras regiões sofreram uma redução importante, como é o caso da Ásia, cuja participação caiu de 8,18% em 1994, para 5,5%, em 2004. A América Latina também sofreu redução, passando de 6,17% em 1994, para 4,3% em 2004. Somente o Brasil conseguiu aumentar a sua participação, de 0,49% em 1994, para 0,7% em 2004, mas ainda abaixo do índice de 1,26% obtido em 2001.
Fonte: UNCTAD/ITC/Comtrade em Braziltradenet
Estrutura geral
O empresário brasileiro que pretende introduzir seu produto no mercado espanhol deve, em primeiro lugar, considerar as diretrizes gerais estipuladas para o mercado da EU e, posteriormente, analisar o mercado espanhol.
Dentro da UE, a Espanha pretende ocupar um lugar de destaque com relação à América Latina. Neste sentido, observa-se um maior interesse dos empresários espanhóis pelo mercado brasileiro, tanto em relação à procura por novos produtos como em relação ao estudo de formas de cooperação empresarial, o que poderia transformá-las em trampolim para o resto do mercado da União Européia.
O Setor de Promoção Comercial da Embaixada do Brasil em Madri dispõe de programa especial de divulgação das oportunidades oferecidas por empresários brasileiros. Por outro lado, estão disponíveis escritórios específicos como a Câmara e Comércio, bancos, sindicatos de agentes comerciais e as associações de classe.
Promoção de vendas
A promoção de vendas no mercado espanhol, tanto a feita pelos atacadistas como a que é de interesse dos varejistas, é realizada pelos canais tradicionais, que podem ser os meios de comunicação (rádio/televisão, imprensa nacional/ regional/municipal), publicações especializadas do ramo, revistas comerciais e mala direta.
Dependendo do produto, as lojas de departamento e os hipermercados realizam atividades específicas para a introdução de novas marcas e produtos.
De modo geral, o custo relacionado com a promoção do produto corre por conta do atacadista/produtor/importador.
Como foi mencionado anteriormente, a grande maioria desses estabelecimentos é de pequeno porte e não está disposto a arcar com grandes gastos publicitários. Nesse sentido, observa- se que a grande maioria das promoções é realizada diretamente pelos produtores ou pelas lojas de departamento e hipermercados.
Recomenda-se aos empresários brasileiros interessados em introduzir um novo produto no mercado espanhol que combinem com o parceiro espanhol a promoção do produto.
Feriados
São observados os seguintes feriados nacionais:
1de janeiro (Ano Novo)
6 de janeiro (Dia dos Reis)
19 de março (São José)
1de maio (Dia do Trabalho)
15 de agosto (Assunção da Virgem)
12 de outubro (Dia da Raça ou Hispanidad)
1de novembro (Todos os Santos)
6 de dezembro (Dia da Constituição Espanhola)
25 de dezembro (Natal)
Além desses dias, há de se considerar as festas móveis como a Semana Santa, e os feriados regionais de cada comunidade autônoma. Os meses de julho e agosto são considerados meses de férias.
Fuso horário
Existe uma diferença de quatro horas a mais entre o Brasília e a Espanha peninsular. Com o horário de verão, a diferença pode variar de três a cinco horas. Com relação às Ilhas Canárias, a diferença se reduz em uma hora.
Visto de entrada
Não é exigido o visto em passaporte brasileiro para permanência de até 90 dias.
Investimentos
A Espanha detém o segundo maior estoque de investimentos no Brasil, após os Estados Unidos, alternando posição com os Países Baixos. O total dos investimentos é estimado em aproximadamente 27 bilhões de dólares. A maior parte desses investimentos ocorreu na segunda metade dos anos noventa, com a participação do capital espanhol no programa nacional de privatização, sobretudo nos setores de telefonia, energia e financeiro.
Conforme quadro abaixo, áreas em que os espanhóis atuam no Brasil
Investimento |
Posição entre os países investidores |
| Rodovias |
OHL, Acciona |
| Energia |
Endesa, Iberdrola, Abengoa, Isolux, ACS |
| Bancos |
Santander, ABN Real |
| Hotelaria |
Iberostar, Maliá |
| Telefonia |
Telefônica, Vivo |
| Internet |
Terra |
| Telemarketing |
Atento |
| Seguros |
Mapfre |
| Petróleo |
Repsol |
| Álcool |
Abengoa, Bioenergia |
| Varejo |
Zara, MNG |
| Editoras |
Planeta, Santillana, Anaya |
| Autopeças |
Ficoba |
Fonte: Embaixada do Brasil em Madri
Viagens de negócios
É fundamental que a viagem de negócios seja preparada com antecedência. Detectar as áreas prioritárias, contatar as empresas via fax ou correio eletrônico e solicitar, pelo menos trinta dias antes, o apoio do SECOM Madri ou do SECOM Barcelona.
Caso se trate de missão comercial, composta por vários empresários, é recomendável comunicar o fato, o mais breve possível, ao Departamento de Promoção Comercial do
Ministério das Relações Exteriores, que poderá dar apoio na preparação da missão. Períodos não recomendáveis: segunda quinzena de dezembro, primeira quinzena de janeiro e os meses de julho e agosto.
O idioma deve ser, de preferência, o espanhol, já que o domínio de outros idiomas na Espanha é limitado. No caso de publicações e material promocional, deve-se utilizar o castelhano da Espanha e evitar o espanhol da América Latina. Os contratos comerciais devem ser o mais detalhado possível nos aspectos relacionados com a forma de pagamento, prazo de entrega, preços e outros Recomenda-se confirmar por fax os acordos feitos por telefone e/ou e-mail. O convite a importadores que visitem o Brasil poderá ser considerado sempre e quando se considere o seu horizonte de atuação e idoneidade. Os gerentes de compras das grandes cadeias de lojas e hipermercados são freqüentemente convidados por grandes exportadores dos países asiáticos.
A Espanha dá o exemplo
Reformas, reformas, reformas. Eis a lição -- para o Brasil -- do modelo que tirou o atraso da economia espanhola - Por Rodrigo Mesquita, de Madri / Exame / 02/2007
Link para acesso:
http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0886/economia/m0122180.html
No final de janeiro, o governo espanhol anunciou os melhores índices de desemprego do país em 36 anos. A taxa de 2006 ficou em 8,3% e algumas regiões, como Aragão e Navarra, já vivem uma inédita situação de pleno emprego. Em uma reunião com empresários, o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero comemorou dizendo que o país tinha passado pelo "mais brilhante ano em termos econômicos da etapa democrática". O presidente do Banco Central espanhol, Miguel Ángel Fernández Ordóñez, por sua vez, comunicou que o produto interno bruto (PIB) cresceu 3,8% em 2006 e que o superávit fiscal atingiu 1,5% do PIB. Esse desempenho, afirmou Ordóñez, levou a economia da Espanha ao oitavo lugar no ranking mundial, atrás de Estados Unidos, Japão, Alemanha, China, Reino Unido, França e Itália. O PIB espanhol já beira 1,2 trilhão de dólares. Se o ritmo se mantiver (o crescimento estimado para 2007 é de 3,5%), a renda per capita dos espanhóis ultrapassará a dos italianos até dezembro e encostará na dos alemães em 2010.
É a coroação de um dos mais impressionantes casos mundiais de crescimento sustentado. A Espanha cresce ininterruptamente há mais de 30 anos. Desde 1994, o PIB vem evoluindo à média de 3,4% ao ano. É pouco, se comparado às taxas estratosféricas de China e Índia, mas um excelente desempenho para o contexto europeu. Por isso mesmo -- não ser calcado em números estupendos, mas caracterizar-se pela consistência no longo prazo --, o modelo de desenvolvimento espanhol talvez mereça do Brasil mais atenção do que as receitas de chineses e indianos. Quando morreu o ditador Francisco Franco, em 1975, após 36 anos de um dos regimes mais sombrios da Europa Ocidental, era piada corrente dizer que a África começava nos Pirineus, a cadeia de montanhas que separa a França da Península Ibérica. Nessa época, Brasil e Espanha exibiam quadros parecidos: economias subdesenvolvidas e com grande presença estatal, disparidades regionais, renda per capita rasa, burocracia infernal. De lá para cá, o cenário brasileiro mudou lentamente e aos soluços -- algumas conquistas, como a abertura e a estabilidade, são contrapostas a pioras em outros aspectos, como o tamanho do Estado. Já os espanhóis conseguiram multiplicar por cinco a renda per capita do país. "Tínhamos uma visão: queríamos chegar aonde estavam nossos vizinhos, a Europa desenvolvida", afirma Carlos Solchaga, ex-ministro espanhol da Indústria e, depois, da Economia, nos anos 80.
O que permitiu à Espanha dar esse salto qualitativo? Perseverança é o nome do jogo. O maior mérito dos espanhóis foi ter seguido consistentemente uma estratégia de longo prazo e atacado seus problemas um a um, com sucessivas gerações de reformas. "Em economia não existem modelos milagrosos", diz Guillermo de la Dehesa, presidente do Centre for Economic Policy Research de Londres e um dos artífices da arrancada espanhola -- foi secretário de Política Econômica de 1982 a 1986. Segundo ele, só há dois caminhos para um país ganhar a confiança dos investidores internacionais: políticas estáveis ou a entrada num clube com credibilidade. A Espanha usou as duas fórmulas. Antes da arrancada, ainda em 1977, as forças políticas do país iniciaram a transição democrática firmando uma série de acordos de consenso, os famosos Pactos de la Moncloa. Ali já se assentaram as bases de uma disciplina fiscal e monetária. Ao longo dos anos, independentemente da coloração política do governo de turno, esses princípios e o investimento sistemático em educação, saúde e infra-estrutura foram os pilares da política econômica. Em 1986, com a entrada na União Européia, a Espanha consolidou sua classificação de país seguro para investimento que havia conseguido anos antes. Em seu informe mais recente, a agência de classificação de riscos Standard & Poor's repetiu para o país a nota mais elevada, a mesma que atribui a Estados Unidos, Alemanha e Suíça. "As notas refletem a forte posição fiscal da Espanha e um crescimento econômico robusto", afirma Trevor Cullinan, analista da Standard & Poor's em Londres que responde pela avaliação do país.
Os anos prévios ao ingresso na UE foram vitais para o desenho da Espanha atual. A estabilidade macroeconômica já vinha ampliando o fluxo de investimentos estrangeiros e essa tendência se acentuou. A partir de 1985, 33% dos novos empregos passaram a ser criados pelo capital estrangeiro. Foi a época inicial das reformas econômicas. O primeiro ajuste estrutural significativo começou em 1983, com a implementação de um programa de modernização do setor industrial. O governo usou o poder de fogo da Sociedade Estatal de Participações Industriais -- holding que reúne ações que o Estado detém de diversas empresas -- para promover a reordenação de setores- símbolo da economia do período franquista, como o siderúrgico, o de mineração e o de indústria naval. Milhares de empregos foram extintos, fábricas foram fechadas e unidades isoladas reagrupadas em novas holdings. O governo também promoveu a reestruturação do sistema financeiro, que atravessava uma grave crise derivada da penúria do setor industrial. Assim como foi feito no Brasil com o Proer, o Banco Central espanhol interveio, liquidou entidades, reorganizou bancos públicos e criou um ambiente favorável ao surgimento de gigantes globais, como o Santander Central Hispano e o Bilbao Vizcaya Argentaria.
O Santander é o melhor exemplo dessa transformação. Até então um banco de província, saiu com voracidade ao mercado nos anos 80, inovando produtos (criou a primeira conta remunerada da Espanha) e comprando concorrentes. Na década de 90, já estava entre os primeiros do país e, em 1994, deu sua tacada mais emblemática ao comprar em leilão o vetusto Banco Espanhol de Crédito (Banesto), maior entidade bancária do país durante o franquismo e então sob intervenção do Banco Central. Hoje, o Santander é a sétima instituição bancária do ranking global, com valor de mercado em torno de 90 bilhões de euros e ativos de 798 bilhões.
As reformas tiveram uma contrapartida social. O país do general Franco era marcado pela desigualdade. Os governos democráticos universalizaram o atendimento público na área de saúde, criaram programas de bolsas de estudo e implantaram seguro-desemprego. "O reforço da coesão social foi fundamental numa época em que o país enfrentou taxas de desemprego da ordem de 20%", afirma Solchaga. O ambiente de crescimento e maior segurança originou uma nova categoria de consumidores. Gente exposta às novidades internacionais pela abertura da economia e com maior poder aquisitivo. Propiciou também a expansão de empresas que souberam interpretar os novos signos, fabricando produtos modernos a preços competitivos. Como o grupo Inditex, proprietário da rede varejista Zara e terceiro maior conglomerado têxtil do planeta. O grupo fundado por Amancio Ortega, hoje o homem mais rico da Espanha, começou com um galpão onde trabalhava a família e entrou na transição democrática produzindo e vendendo o que os "novos espanhóis" queriam: roupa com "design" a preços acessíveis.
Participar do clube dos ricos também ajudou. Ao longo do tempo, a Espanha recebeu 165 bilhões de euros dos fundos que a União Européia destina a novos membros. Além de ajudar nas políticas sociais, esse dinheiro serviu para financiar a renovação da infra-estrutura. Implantou-se o trem de alta velocidade, estendeu-se a rede de autopistas, modernizaram-se os aeroportos. O esforço ainda não acabou, mas agora a Espanha é quem paga a conta. No orçamento de 2007, o governo prevê investir 17 bilhões de euros em portos, aeroportos, estradas, ferrovias e meio ambiente -- mais que o triplo do investimento público federal brasileiro no ano passado.
Talvez a maior conquista dos governos posteriores a Franco tenha sido a reforma do mercado de trabalho. Flexibilizar o custo da mão-de-obra era vital para a compe titividade espanhola. A tarefa tocou, ironicamente, a um governo socialista que, em 1986, enfrentou a única greve geral posterior à transição democrática. Coube ao segundo governo de Felipe González romper com um tabu da esquerda, barateando o custo das demissões e implantando o contrato temporário. O desemprego, que atingiu a impressionante cifra de 24,5% em 1994, vem caindo de forma consistente desde então. Atualmente, de cada dez novos postos criados, três são temporários.
Os anos 90 foram marcados pelo que se considera a segunda fase das reformas. Para que o país pudesse se tornar um dos fundadores da união monetária européia, o governo espanhol promoveu rigoroso ajuste nas contas públicas. O prêmio veio na forma de redução vertiginosa na taxa de juro (então de 15%, caiu até os 4% atuais) e de um novo ciclo de investimentos. "As pessoas começaram a endividar-se mais e os mercados de crédito desenvolveram-se rapidamente", diz De la Dehesa. O crescimento do consumo e a oferta de dinheiro barato deram mais um impulso à economia. A exuberância dos mercados financeiros internacionais na segunda metade da década facilitou, por sua vez, outra etapa, a da desmontagem dos antigos monopólios estatais, tarefa levada a cabo pelo governo conservador de José María Aznar. Em 1995, ele iniciou a privatização da Telefónica, que, ao lado do monopólio petroleiro Repsol, foi, provavelmente, a desestatização mais bem-sucedida. Em pouco mais de dez anos, a Telefónica evoluiu de uma empresa de expressão local à terceira posição no ranking global de número de clientes. A Repsol, por sua vez, surgiu do agrupamento em uma única holding de todos os ativos estatais no setor de hidrocarbonetos, em 1981. Dez anos depois, o governo separou as atividades que deram origem a outro gigante, a Gás Natural. Em 1997, foram vendidos os últimos 10% que o Estado ainda possuía e, dois anos mais tarde, a empresa concluiu a compra da argentina YPF. Atualmente, a Repsol YPF está entre as dez maiores do mundo no ramo, com valor de mercado de 31 bilhões de euros.
A economia espanhola conseguirá manter o ritmo de crescimento? Há indicadores saudáveis, como a taxa de investimento de 30% do PIB (a do Brasil está em 20%). Por outro lado, num informe recente, a Organização para Cooperação e De senvolvimento Econômico (OCDE), grupo de 30 países do qual a Espanha faz parte, chamou a atenção para a perda de competitividade e para o elevado grau de endividamento da população. As famílias espanholas somavam ao final de 2006 dívidas de 717 bilhões de euros. São as mesmas reticências lançadas pelo Banco Central europeu, que destaca também o cenário futuro de elevação das taxas de juro. Esse movimento pode engripar o principal motor da economia espanhola nos últimos anos: a construção civil, responsável por 70% do investimento total no país. Há no país uma espécie de bolha imobiliária. A Espanha já conta com 23 milhões de residências, uma para cada dois habitantes. A OCDE estima que o preço dos imóveis espanhóis esteja sobrevalorizado em 30%. A febre imobiliária dos últimos anos alimentou em larga medida um segundo motor do crescimento: a imigração. Nos últimos seis anos, estabeleceram-se na Espanha 4,5 milhões de imigrantes, que ocuparam postos de trabalho rejeitados por uma população envelhecida e com baixos índices de natalidade.
A baixa competitividade é outro problema. O trabalhador espanhol produz, em média, 13% menos que o europeu e 27% menos que o americano. Alguns economistas, no entanto, enxergam nesse diferencial não um problema, mas o espaço de crescimento latente. É o que pensa o último Nobel de economia, o americano Edmund Phelps. "Partindo de bases firmes, é fácil crescer se a diferença de produtividade é ampla", afirma Phelps. "Assim ocorreu com o Japão nos anos 50, com a Coréia nos 70 e com Alemanha, França e Itália entre os 50 e os 70." O terceiro calcanhar-de-aquiles é o desequilíbrio nas contas externas. O ano de 2006 fechou com déficit comercial de 18% do PIB (o segundo maior do mundo em termos relativos, atrás do americano) e de 8% nas transações correntes. Phelps, no entanto, não vê maiores problemas. "O desequilíbrio externo é sintoma do crescimento rápido e do aumento do investimento", diz ele. "Não creio que a Espanha tenha problema grave nesse aspecto. Quando uma criança está crescendo e o tamanho de seus pés aumenta, não tratamos de parar seu crescimento. O que fazemos é comprar sapatos maiores."
Endereços úteis
Câmara de Comércio Brasil – Espanha
Casa do Brasil, Avda. Arco de la Victoria, s/n. 28040 - Madrid.
Fone: (34) 91 455 1560
Email: camara@camara-brasilespana.com
www.camara-brasilespana.com
Embaixada do Brasil em Madri
Calle Fernando el Santo, 6
28010 Madrid / España
Site: www.brasil.es
E-mail: chancelaria@embajadadebrasil.es
Tel.: (+34) 91 700 46 50
Fax: (+34) 91 700 46 60
Consulado Geral do Brasil em Madri
Calle Zurbano 71, 28010 Madrid
consular@consuladobrasil.es
www.consuladobrasil.es
Consulado Geral do Brasil em Barcelona
Av. Diagonal, 468, 2º
08006 - Barcelona (Espanha)
Fone: +(34) 93 488 2288
Fax: +(34) 93 487 2645
contato@brasilbcn.org
www.brasilbcn.org
Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil
Av. Eng.º Luís Carlos Berrini, 1681, 14º andar
04571-011 São Paulo - SP
Tel.: (011) 5508 5959
Fax: (011) 5508 5970
E-mail: camaraespanhola@camaraespanhola.org.br
www.camaraespanhola.org.br
Embaixada da Espanha
Avenida das Nações, lote 44
70429-900 Brasília–DF
Tel.: (061) 244-2121/ 2023/2145
Fax: (061) 242-1781/ 2381
E-mail: embespbr@correo.mae.es
www.mae.es
Consulado Geral da Espanha no Rio de Janeiro
Rua Lauro Müller, 116, salas 1601/2 Botafogo
22290-160 Rio de Janeiro – RJ
Tel.: (021) 2244-7376 / 2543-3200 e 2543-3112
E-mail: cgespriojan@correo.mae.es
www.mae.es/consulados/rio/
Consulado Geral da Espanha em São Paulo
Av. Bernardino de Campos, 98, 1º andar,
04004-040 São Paulo – SP
Tel.: (011) 3059-1800
E-mail: consuladoespanhasp@terra.com.br
www.consuladoespanasp.org.br
Consulado Geral da Espanha em Porto Alegre
Rua Eng.º Ildefonso Simões Lopes, 85-91330-180
Porto Alegre (RS)
91330-180
Tel.: (051)3338-1300/1667
Fax: (051) 3338-1444
E-mail: cgesppalegre@correo.mae.es
Consulado Geral da Espanha em Salvador
Rua Marechal Floriano, 21 - Canela
40110-010 Salvador - BA
Tel.: (071) 336-9055/ 1937
E-mail: consesp.sbahia@correo.mae.es
Fontes consultadas
Câmara de Comércio Brasil – Espanha - www.camara-brasilespana.com
Embaixada do Brasil em Madri - www.brasil.es
Braziltradenet – Guia do Exportador – www.braziltradenet.gov.br
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – www.desenvolvimento.gov.br
CIA - The World Factbook - www.cia.gov
Instituto Nacional de Estadística - www.ine.es
Agencia Estatal de Administracion Tributaria - www.aeat.es
Portal Exame - http://portalexame.abril.com.br
Última atualização: agosto/2010